A escolha entre papel de base de fibra (FB) e papel resinado (RC) não é apenas uma questão de gosto. Os dois compartilham a mesma química de emulsão de gelatina de prata, mas repousam sobre suportes fundamentalmente diferentes, e essa única diferença estrutural determina como uma cópia é lavada, seca, virada e quanto tempo ela dura. Entender a construção explica as regras de manuseio, em vez de exigir que sejam memorizadas.
Um papel de fibra é uma base de papel com uma camada de sulfato de bário (baryta) calandrada sobre uma superfície para fornecer um fundo branco liso e reflexivo antes de a emulsão ser aplicada. O papel em si permanece exposto e absorvente. A camada de baryta é quimicamente inerte; ela clareia a imagem por sua reflexividade e impede que impurezas do papel migrem para a emulsão. O Ilford Multigrade FB Classic é uma base de baryta de dupla gramatura de 255 g/m², com cor de imagem neutra, disponível nas superfícies brilhante (1K) e mate (5K).
O papel resinado inverte essa lógica. O núcleo de papel é selado entre duas camadas de polietileno, sendo a camada do lado da emulsão pigmentada com dióxido de titânio para opacidade e brancura. As fibras do papel nunca são molhadas durante o processamento, pois as películas plásticas são impermeáveis. A Ilford indica o núcleo do Multigrade RC em 190 g/m² (peso M) ou 250 g/m² (peso K) excluindo o polietileno, que adiciona aproximadamente 70 g/m²; as superfícies são codificadas como brilhante 1, acetinada 25, pérola 44. Uma cópia FB acabada é composta apenas de papel, gelatina, prata metálica e baryta inerte, enquanto uma cópia RC acrescenta um polímero que os materiais mais antigos não contêm.
A mesma química, tempos diferentes
Como as bases diferem apenas em se o núcleo absorve ou não líquido, dá para observar a consequência em química idêntica. Com o revelador Ilford Multigrade a 1+9 e 20°C/68°F, o FB Classic revela em 1:30 a 3:00 (a imagem aparece em cerca de 20 segundos), enquanto o RC atinge o desenvolvimento completo em um minuto, com a imagem visível após aproximadamente 10 segundos. O fixador é o mesmo também: um Ilford Rapid Fixer ou Hypam sem endurecedor a 1+4, um minuto para FB e 30 segundos para RC. Um fixador com endurecedor explicitamente não é recomendado, pois retarda a lavagem. O stop é Ilfostop 1+19 por 10 segundos em qualquer base. O núcleo absorvente de fibra simplesmente leva mais tempo para absorver e liberar a química — essa é toda a história das diferenças de manuseio que se seguem.
Ambos os papéis oferecem sete graus inteiros de contraste em meios passos sob a filtragem Multigrade; os filtros 00 a 3,5 compartilham uma exposição guia, enquanto os filtros 4 e 5 precisam de aproximadamente 1,5 a 2 vezes mais tempo. Trabalhe sob uma luz de segurança de no mínimo 580 nm (marrom escura ou vermelha) e a pelo menos 1,2 m de distância.
A sequência de permanência otimizada, passo a passo
A lavagem do RC é trivial: dois minutos em água corrente limpa, ou 30 segundos com agitação vigorosa. A Ilford alerta contra deixar o RC molhado por mais de 15 minutos, pois a imersão prolongada permite que a água penetre pelas bordas cortadas e provoque curvatura. O plástico que resiste à lavagem também resiste ao excesso dela.
A fibra é o oposto. O núcleo absorvente embebe o fixador e seus subprodutos de tiossulfato, e eliminá-los é a diferença entre uma cópia que dura e uma que amarela. A lavagem simples leva de 30 a 45 minutos em água corrente acima de 5°C. A sequência de permanência otimizada da Ilford para FB faz o mesmo trabalho de forma mais rápida e completa, com todos os banhos mantidos entre 18 e 24°C, incluindo a água de lavagem:
- Fixar em Rapid Fixer ou Hypam 1+4 por um minuto (não prolongue a fixação nem esgote o banho; ambos dificultam a lavagem)
- Primeira lavagem, água corrente, 5 minutos
- Ilford Washaid (um eliminador de hiposulfito que remove o tiossulfato por troca iônica) a 1+4, 10 minutos com agitação intermitente
- Lavagem final, água corrente, 5 minutos
Se a cópia for virada em Selenium para exibição, a lavagem final se estende de 5 para 30 minutos. Não adicione endurecedor em nenhuma etapa da sequência.
Como saber que a lavagem foi eficaz de fato
As regras de lavagem são um meio para um fim, e o fim é mensurável. O tiossulfato residual que fica no papel é o que mais tarde se oxida e mancha, portanto pode ser quantificado em vez de presumido. O método do azul de metileno e o método densitométrico de sulfeto de prata, ambos padronizados na ISO 18917 (antes ISO 417 / ANSI IT9.17), fornecem um número para o fixador residual em uma cópia processada. Para uma cópia de fibra destinada a um arquivo, esse é o elo entre a rotina de lavagem descrita acima e uma afirmação real de permanência.
A secagem então diverge tão acentuadamente quanto a lavagem. Dê ao FB um enxágue final em agente molhante Ilford Ilfotol a 1+200, passe o rodo em ambos os lados e seque plano sob peso ou em uma prensa, pois o núcleo úmido incha de forma irregular e seca com uma curvatura pronunciada. A mesma absorção de água produz o dry-down: uma cópia de fibra úmida parece mais brilhante do que estará quando seca, com as altas luzes perdendo intensidade à medida que a gelatina endurece. O efeito tipicamente varia de 8 a 12 por cento. O método do fotógrafo Les McLean é reduzir a exposição final pela porcentagem medida; em uma exposição base de 20 segundos, um fator de 10 por cento significa imprimir em 18 segundos. O RC, selado contra a água, apresenta dry-down desprezível e seca plano em 10 a 20 minutos à temperatura ambiente. Ele nunca deve ser glaceado, ferrotipiado ou secado em tambor, porém: o polietileno funde-se à superfície de glaceamento.
Viragem e a memória longa do polímero
A Ilford recomenda virar as cópias de exibição para protegê-las contra gases oxidantes no ar. O virador Selenium age convertendo parte da imagem de prata metálica para um composto de prata mais inerte, que resiste a esses gases; no MG FB Classic, praticamente não altera a cor da imagem, mas adiciona proteção real, e a superfície brilhante 1K recebe o virador com mais facilidade do que a mate 5K. A viragem com sulfeto e os estabilizadores de imagem de prata são alternativas.
O argumento a favor da fibra como meio arquivístico repousa no que ela não tem: nenhum polímero para falhar. O papel resinado estreou comercialmente no Kodak Ektacolor em 1968, o primeiro produto RC; fabricantes de preto e branco, incluindo Agfa-Gevaert, Fuji, GAF, Ilford e 3M, seguiram em meados da década de 1970. Esses materiais iniciais expuseram a fraqueza do processo. A forma anatásio do dióxido de titânio no polietileno do lado da emulsão fotocatalisa sob luz ultravioleta para formar oxigênio singlete, que oxida o polímero em reações de cisão de cadeia, tornando a base frágil e rachada e acelerando o espelhamento de prata em cópias das décadas de 1970 e 1980. O Photographic Materials Group do American Institute for Conservation, fundado em 1979 com Henry Wilhelm entre seus fundadores, documenta essa história. Os fabricantes acrescentaram antioxidantes, sequestrantes de peróxido e absorvedores de ultravioleta desde então, mas a literatura de conservação é cautelosa aqui: as formulações são proprietárias e variam por produto, de modo que os dados de longevidade a longo prazo permanecem limitados. Em armazenamento frio e seco, em torno de 18°C ou abaixo, com 30 a 50 por cento de umidade relativa, espera-se que ambas as bases se saiam bem; para cópias em exibição, o consenso de conservação ainda favorece a fibra, precisamente porque uma cópia de fibra totalmente lavada e virada não contém plástico que possa se degradar.